Festival de Cannes começa mais importante do que nunca para o Oscar e sem filmes brasileiros

0
8


Festival de Cannes 2026 começa nesta terça-feira (12)
Valery Hache/AFP
O Festival de Cannes 2026 começa nesta terça-feira (12) como a edição mais importante para a corrida do Oscar em sua história, com pouca presença de Hollywood e nenhum filme brasileiro na competição pela Palma de Ouro.
O evento francês já era o festival de cinema mais prestigiado do mundo antes da mudança significativa nas regras da premiação da Academia de Cinema americana, mas agora entra de maneira oficial na corrida pela estatueta dourada.
A partir de 2027, vencedores das competições de alguns dos maiores festivais do mundo podem ser indicados à categoria de melhor filme internacional do Oscar — e não dependem mais da seleção de comitês de seus respectivos países para representá-los.
Ou seja, em 23 de maio, o júri presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook (“Oldboy”) anuncia seu escolhido para levar a Palma de Ouro, e este se torna elegível para o Oscar 2027, desde que mais de 50% de sua duração não seja falada em inglês.
Ele então se junta a “Shame and Money”, ganhador do Grande Prêmio do Júri da competição internacional do Festival de Sundance, e a “Gelbe Briefe”, honrado com o Urso de Ouro do Festival de Berlim.
Vídeos em alta no g1
Vitrine histórica
A importância de Cannes não nasceu com a mudança anunciada pela Academia no último dia 1º, é claro.
A Palma de Ouro sempre serviu como vitrine para quem queria ser considerado um concorrente real ao Oscar — mas a relação se intensificou nos últimos anos, graças, em grande parte, à internacionalização dos membros da organização americana, um esforço para diversificar seus integrantes.
Tanto que, dos últimos dez premiados no Festival, sete receberam indicações ao Oscar. Destes, dois ganharam como melhor filme, e “Parasita” (2019) se tornou o primeiro de língua não inglesa a vencer a categoria.
A história recente também ajuda a explicar a iniciativa da Academia. Ganhador da Palma de Ouro em 2023, por exemplo, “Anatomia de uma queda” levou cinco indicações ao Oscar, mas não pôde concorrer como filme internacional por não ter sido escolhido como representante da França.
Muita gente comenta que a decisão teve uma parte política, já que o governo foi criticado pela diretora Justine Triet em seu discurso de agradecimento em Cannes.
O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho recebe o prêmio de Melhor Ator em nome do ator brasileiro Wagner Moura pelo filme “O Agente Secreto” durante a Cerimônia de Encerramento da 78ª edição do Festival de Cinema de Cannes, em Cannes, sul da França, em 24 de maio de 2025.
Sameer AL-DOUMY / AFP
Prejuízo para o Brasil
Tudo isso é uma má notícia para os planos brasileiros de conseguir uma terceira indicação consecutiva inédita na categoria de filme internacional do Oscar. Afinal, nenhum filme nacional foi selecionado para a competição francesa.
Em 2025, “O agente secreto” deu início à sua corrida pela estatueta ao vencer dois prêmios no Festival — não seria o suficiente para uma elegibilidade automática, mas certamente projetou a obra como um concorrente sério.
A presença em Cannes também ajudou o filme de Kleber Mendonça Filho a conseguir a distribuição da Neon nos Estados Unidos, uma empresa americana especialista em premiações.
Mas não se pode perder as esperanças. Ainda há oportunidades para conseguir uma classificação antecipada. Uma delas é o Festival de Veneza, que acontece em setembro. “Ainda estou aqui” começou sua trilha ao Oscar, em 2025, no evento italiano.
O Brasil não estará completamente ausente de Cannes. Selton Mello é um dos atores que deve dar as caras por lá, como parte do elenco do chileno “La perra”.
Ausência de blockbusters
Parte do motivo do crescimento da importância de Cannes no calendário de premiações também era a atenção dada ao festival por estúdios americanos. Em 2026, nenhum grande lançamento de Hollywood será levado à cidade francesa.
Filmes como “Dia D”, de Steven Spielberg, e “A Odisseia”, de Christopher Nolan, não darão as caras por lá — mesmo com estreias mundiais nos próximos meses.
Com isso, o destaque recai sobre autores queridos pelo evento e grandes nomes do cinema mundial, como o espanhol Pedro Almodóvar (“Amarga navidad”), os japoneses Hamaguchi Ryusuke (“Soudain”) e Koreeda Hirokazu (“Hako no naka no hitsuji”) e o iraniano Asghar Farhadi (“Histoires parallèles”).

Fonte: G1 Entretenimento