Mainha do Brega: conheça a costureira que virou cantora aos 63 anos: ‘Ainda sou uma menina’

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Conheça ‘Mainha do Brega’, a costureira que virou cantora aos 63 anos
Vestida com um longo vermelho cravejado de pedras e com plumas nos braços: é assim que Fátima Mascarenhas se apresenta para o público.
Aos 63 anos, a piauiense natural de Teresina decidiu que iria deixar de lado as tesouras e linhas para se arriscar nos palcos e em estúdios de gravação em Feira de Santana, na Bahia, onde mora atualmente com a filha e duas netas.
Sob o nome artístico de “Mainha do Brega”, ela se tornou uma das novas sensações da música romântica e da seresta nas redes sociais.
Em poucos meses, alcançou marcas expressivas para uma artista que ainda não estreou oficialmente nos palcos: ultrapassou a marca de 50 mil seguidores no Instagram e aproxima-se dos 90 mil seguidores no TikTok.
Nesta última plataforma, o engajamento é maior: um acumulado que ultrapassa 1,2 milhão de curtidas e 11 milhões de visualizações em seus vídeos.
O sucesso repentino pavimentou o caminho para o lançamento de “Recordações”, seu primeiro projeto audiovisual, disponibilizado em 8 de maio.
O trabalho reúne 15 faixas com regravações de clássicos da música brega e da seresta, incluindo sucessos como “Porque Brigamos” (eternizada por Diana em 1972), “Naquela Mesa” (gravada por Nelson Gonçalves em 1971) e “Foi Tudo Culpa do Amor” (sucesso de Odair José de 1974).
Somados, os vídeos no YouTube ultrapassam 1 milhão de visualizações.
Costureira, manicure, vendedora..
Fátima teve uma trajetória marcada por diferentes trabalhos informais: já foi dona de casa, vendeu salgados, atuou como manicure e, mais recentemente, trabalhava como operadora de máquina, fechando roupas para uma fábrica de costura local.
A relação com os microfones, no entanto, vem desde a infância em Teresina, sua cidade natal.
“A gente brincava de auditório naquela época, então eu colocava todo mundo sentadinho nos banquinhos, nas taubinhas, e começava a cantar. Terminava que só quem cantava era eu”, relembra.
Apesar da paixão antiga pelas músicas que faziam sucesso em sua infância, Fátima nunca havia trabalhado profissionalmente com música até o dia em que recebeu um convite despretensioso do filho, Eduardo.
“Ele fez o ritmo de uma música, me chamou para almoçar na casa dele e falou: ‘Mainha, canta essa música para eu ver’. Eu cantei e ele disse: ‘Minha mainha é do Brega’. Aí ficou Mainha do Brega e dali começou tudo”, explicou.
Filho soma 800 mil ouvintes mensais
Fátima Mascarenhas, a Mainha do Brega, ao lado do seu filho, Eduardo Mascarenhas, conhecido como “o Rasta”.
Acervo pessoal
Eduardo Mascarenhas, de 38 anos, é conhecido artisticamente como “O Rasta” e lidera o projeto “Seresta do Rasta”, com o qual viaja pelo Brasil cantando ‘sofrência’, arrocha e brega.
Ele aprendeu a tocar os primeiros acordes em um violão emprestado e com apenas uma corda, já que a família não tinha condições financeiras.
Para apoiar o início do filho na música, Fátima trabalhou como manicure para conseguir o valor necessário para consertar o instrumento:
“Fiz a unha de algumas pessoas, consegui cinco reais na época e dei para ele comprar as cordas”, relembra.
Depois disso, o jovem aprendeu a tocar teclado, cavaquinho, contrabaixo e guitarra. Atualmente, ele soma mais de 800 mil ouvintes mensais no Spotify e vive somente da música.
Fátima Mascarenhas, a Mainha do Brega, em registro em frente ao ônibus do Rasta, seu filho.
Acervo pessoal
‘Jovens não estão atrás apenas do funk’
A rápida ascensão de Mainha do Brega nas redes sociais atraiu os olhares de nomes graúdos do cenário do arrocha nacional.
O cantor Tierry comentou em uma das publicações da artista deixando emojis de aplausos e a mensagem “bom demais”.
Cantor Tierry comenta na publicação de @mainhadobrega.
Redes sociais
Os conteúdos também geraram forte identificação com um público mais jovem, que interage frequentemente com comentários bem-humorados como: “então é esse tipo de música que a gente gosta quando chega nos 30?”.
Fátima celebrou essa conexão com as novas gerações:
“Hoje em dia, quase ninguém mais me chama de Dona Fátima, é só ‘mainha’. Eles gostam de mim e é a coisa mais linda de ver. Os jovens não estão atrás apenas do funk, sabe, estão indo atrás do brega também”, contou.
Nada de ansiedade por aqui
Atualmente, Fátima Mascarenhas passa por um período de preparação, que inclui aulas de canto e ensaios semanais com foco na montagem de sua primeira turnê oficial de shows.
Embora as datas das apresentações ainda não tenham sido anunciadas, ela afirma que recebe propostas e pedidos de contratação diariamente pelas redes sociais.
Quando perguntada se está nervosa para sua estreia oficial, Mainha do Brega responde:
“Não. Já fui a shows do meu filho e ficava dando tchau para as pessoas, querendo me aparecer. Tenho esse carisma mesmo. Não sou idosa. No fundo, ainda sou só uma menina”, comenta, rindo.
Mainha do Brega no projeto audiovisual “Recordações”.
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento