Dono de BMW parada há mais de um ano em oficina diz que comprou moto para não ficar a pé

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Morador de Palmas espera há dois anos por devolução de carro em oficina
O mecânico Kelvin Lucas, de 31 anos, precisou comprar uma moto para se locomover enquanto aguarda há um ano e sete meses pelo conserto de uma BMW 118i, ano 2009. O carro de luxo foi deixado em uma oficina de Palmas no início de 2025 para um reparo no motor e, segundo Kelvin, foram pagos mais de R$ 26 mil antecipadamente pelo serviço.
“Hoje eu tenho essa dívida, tive que comprar essa moto. E [ainda tem o] documento do carro, que vai para o segundo ano pagando um documento de um carro que eu não tô usando, infelizmente”, comentou em entrevista ao g1.
Kelvin afirmou que continua pagando o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), mesmo sem poder utilizar o veículo. O caso foi levado à Justiça, que já emitiu duas ordens para a realização imediata do conserto e a entrega do veículo.
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A oficina Ruicar Imports informou à TV Anhanguera que o veículo está pronto desde maio deste ano e que aguarda apenas que Kelvin faça a retirada do automóvel. Apesar da afirmação da oficina de que o serviço foi concluído, Kelvin disse que o problema não foi resolvido.
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Consumidor relata que, após pagar adiantado, encontrou o carro abandonado no pátio da empresa, exposto ao sol e à chuva
Reprodução/Arquivo pessoal de Kelvin Lucas
Ofina foi multada
Em março deste ano, diante do descumprimento das determinações, a Justiça fixou uma multa diária de R$ 500 à oficina, limitada ao teto de R$ 15 mil. Segundo a decisão, a empresa foi intimada, mas não devolveu o carro nem apresentou justificativa para o atraso.
O consumidor contou que, ao tentar buscar o carro em abril, encontrou o veículo em uma situação pior do que quando o entregou. Segundo Kelvin, o carro estava com o motor falhando, faróis queimados e a pintura desbotada por ter ficado exposto no pátio da empresa.
“Como é que eu fico? Sem o carro, sem o dinheiro que foi pago… Meu carro se acabou lá, todo cheio de detalhes, com a pintura queimada (…) Eu vou ficar no prejuízo? Vou ter que pegar o carro na situação em que está e gastar com outro lugar? Fui procurar um profissional para poder arrumar, e o que eu arrumei foi uma dor de cabeça”, contou.
Prejuízo
Pelo segundo ano seguido, Kelvin precisou pagar o IPVA do carro, no valor de mais de R$ 1 mil, mesmo sem poder utilizá-lo. “Ainda tenho que pagar o IPVA do carro que eu não estou nem usando, que, na verdade, se acabou. Hoje eu vi como está a situação do carro. Era para arrumar, não destruir”, desabafou o proprietário.
Em casos como esse, o advogado Vinícius Negreiros, consultado pela TV Anhanguera, explicou que o consumidor pode exigir o cumprimento forçado da obrigação ou o ressarcimento dos valores pagos, com atualização monetária.
“A saída é pedir a conversão dessa ação judicial em uma ação de danos materiais, né? Nesse caso, você vai buscar o ressarcimento em juízo do valor integral daquele veículo. Você demonstra que não houve a restituição, que não há mais essa possibilidade de restituição e, então, pede a conversão desse procedimento em uma ação também por danos materiais”, afirmou.
Ainda segundo o advogado, em casos extremos, em que a restituição do bem não ocorre de forma satisfatória, também cabe conversão da ação para pedido de danos materiais, permitindo ao consumidor buscar na Justiça o valor integral do veículo, caso fique demonstrado que o carro não foi devolvido ou sofreu danos durante o período em que esteve sob responsabilidade da oficina.
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Fonte: G1 Tocantins