Rachel Reis, Rosa Passos e Assucena se afinam na beleza do ‘Concerto do amor’ da Orquestra Sinfônica da Bahia

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Rachel Reis (à esquerda), Rosa Passos (ao centro) e Assucena se apresentam no Teatro Castro Alves com a Orquestra Sinfônica da Bahia
Taylla de Paula / Divulgação
♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR
♬ SALVADOR (BA) – Estive na capital da Bahia na semana passada para assistir à gravação do primeiro álbum audiovisual do cantor Lazzo Matumbi em show majestoso apresentado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves na noite de sexta-feira, 24 de julho.
Uma vez em Salvador (BA), soube que, no dia seguinte à apresentação de Lazzo, sábado, 25 de julho, a Sala Principal do Teatro Castro Alves – enfim reaberto em 1º de julho após três anos fechado para obras de restauração e modernização após incêndio acontecido em 2023 – abrigaria o “Concerto do amor”, último dos cinco espetáculos feitos pela Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) com diversos convidados, ao longo deste mês de julho, para celebrar a reabertura do palco mais nobre de Salvador (BA).
E lá fui eu para conferir essa sinfonia do amor da orquestra regida pelo comunicativo maestro Carlos Prazeres, cuja imagem passa longe da sisudez associada a mestres desse ofício.
Além da OSBA, três nomes me atraíram para o teatro naquela noite. Três nomes de cantoras baianas. Duas, Rosa Passos e Assucena, eu já tinha visto em cena algumas vezes. Mas nunca tinha visto Rachel Reis. E foi justamente ela a primeira cantora a subir ao palco do Teatro Castro Alves no concerto orquestrado sob direção artística de Elísio Lopes Jr. e direção musical de Manno Góes.
Desde a primeira música, “Caju” (2023), composta por Rachel e gravada originalmente para a trilha sonora da série “Cangaço novo”, vi que a cantora tem boa presença no palco. Gostei do timbre macio do canto da Sereiona, epíteto pelo qual Rachel Reis é conhecida na Bahia.
Tem um suingue sereno no canto da artista, que também soltou a voz em músicas como “Bateu” (Rachel Reis, Mulú, Francisco Gil, José Gil e João Gil, 2023) e “Xuxu” (Gilson Gomes, Ed Nobre, Diggo e Arthur Ramos, 2024) – gravadas por Rachel com os grupos Gilsons e Filhos de Jorge, respectivamente – com arranjos criados por Alexandre Caldi para orquestra. “Maresia” (Rachel Reis, 2021) encerrou o bloco da artista.
Em seguida, foi a vez de Assucena, que fez somente um número solo, interpretando “As canções que você fez pra mim” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1966), música lançada por Roberto Carlos há 60 anos, mas hoje essencialmente conhecida pela regravação feita por Maria Bethânia em 1993 para o álbum justamente intitulado “As canções que você fez pra mim”. O arranjo do número de Assucena inclusive pareceu evocar intencionalmente o arranjo da gravação de Bethânia na parte instrumental porque a canção virou mesmo dela, Bethânia.
Veio então Rosa Passos, sagaz cantora e compositora. Nem posso dizer que fiquei surpreso com a excelência da atuação dessa artista no “Concerto do amor” porque Rosa Passos é sempre um acontecimento em cena. Uma maravilha contemporânea aplaudida pelos brasileiros de ouvidos mais antenados.
Iniciado com “Dunas” (Rosa Passos e Fernando de Oliveira, 1993) – samba que soou como declaração de amor a Salvador (BA) pela letra imagética que mapeia a beleza da fauna e flora da cidade em um fim de verão – em arranjo orquestral de Itamar Assiere, o set de Rosa Passos incluiu uma “Dindi” (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959) em majestoso tempo de delicadeza, o bolero “Abajur lilás” (Rosa Passos e Ivan Lins, 1989, com letra posterior de Fernando de Oliveira, 1996) e duas incursões pelo cancioneiro de Djavan, compositor recorrente nos roteiros dos shows da cantora. “Açaí” (1981) veio em tom enérgico enquanto “Samurai” (1982) ganhou o coro do público com o incentivo da própria Rosa.
Após o bloco de Rosa Passos, entrou em cena Ruan Vitor, o Vaqueirinho, cantor de vozeirão poderoso que desmente os dez anos desse artista baiano que viralizou em 2024. Vaqueirinho ganhou o público do Castro Alves ao interpretar músicas como “Que Deus me livre” (Giannini Alencar e André da Mata, 2023) e o arrocha “Locutor” (Silvano Salles, 2019) com carisma de gente grande.
Finda a participação de Vaqueirinho, as três cantoras se reuniram no palco com a OSBA para arrematar o “Concerto do amor” com o samba “Chega de saudade” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958).
Saí do teatro feliz, pela reabertura do espaço e pela energia boa da sinfonia do amor com vozes femininas que mostraram um pouco do muito que a Bahia tem.
♪ O colunista e crítico musical do g1 viajou a Salvador (BA) a convite da produção do show “Matumbi canta a Bahia”, de Lazzo Matumbi.
O cantor Ruan Vitor, conhecido como Vaqueirinho, conquista o público com voz e carisma no ‘Concerto do amor’ da OSBA
Taylla de Paula / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento