Caso Gustavo: veja a cronologia da morte à prisão dos pais

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Menino Gustavo pode ter sido torturado antes de ser morto, diz delegado
O menino Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi encontrado morto após o pai procurar a delegacia, afirmando que o filho havia se afogado, em Palmas. A criança foi encontrada com marcas de agressões na cabeça e intestino. A polícia continua investigando o caso para entender a motivação do crime.
Os suspeitos são o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, pai do menino, e Kathellen Moreira da Silva, madrasta da criança. Os dois foram presos e devem responder, inicialmente, por homicídio duplamente qualificado e tortura.
A suspeita de violência sexual não foi totalmente descartada e a tipificação dos crimes ainda poderá ser alterada conforme o resultado de novas perícias.
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A defesa do advogado disse que, após saber da prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial e que o caso se trata de uma entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável. A defesa ainda afirmou que, por ora, não se manifestará sobre detalhes do caso (veja nota completa abaixo).
Já a defesa de Kathellen Moreira disse que “recebeu com profundo estarrecimento a decisão que decretou sua prisão preventiva”. Os advogados da madrasta alegaram que ela é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A defesa informou que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial e que irá recorrer à substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas (veja nota completa abaixo).
Em coletiva de imprensa, o delegado Eduardo Meneses explicou como as investigações se desenrolaram até a prisão dos suspeitos. Veja abaixo a cronologia do caso.
Antes da morte de Gustavo
Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi encontrado morto na casa do pai em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
Investigações apontaram que o menino sofria agressões desde 2024. Segundo o delegado, a criança voltava machucada das visitas ao pai e, em uma ocasião, chegou a ser vista nitidamente dopada.
“Há vídeos dessa criança nitidamente dopada, chegando das visitas. Há registro fotográfico de lesões. Então, nós estamos falando de um histórico de violência que não começou agora”, explicou o delegado Meneses.
Os pais do menino não moravam juntos e viviam disputas judiciais. Em entrevista à TV Anhanguera, a mãe contou que o filho ia visitar o pai e voltava para casa com hematomas. Em um vídeo, o menino chora ao recusar ir para a casa de Igor. A mãe questiona por que o filho não quer ir visitar o pai, e o menino responde: “Porque ele me bate”.
Advogados de Sabrina informaram que ela não poderia privar a criança da convivência com o pai para não caracterizar alienação parental. Ela movia uma ação na Justiça cobrando o pagamento de pensão.
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Morte de Gustavo – entre domingo e manhã de segunda-feira
Igor Gustavo Veloso de Souza e Kathellen Moreira são investigados pela morte de menino de 3 anos
Reprodução/Redes Sociais
Segundo o delegado, o pai informou que, por volta das 17h30 de domingo (2), o menino teria caído na piscina e retirou a criança da água. O advogado ainda disse que o filho não apresentou nenhuma alteração no quadro de saúde e, por volta das 20h, o colocou para dormir. No depoimento à polícia, Igor disse que, às 6h de segunda-feira (3), o menino estava respirando e, quando foi ver Gustavo novamente, às 9h, o menino estava gelado.
Apesar do relato do pai, exames apontam que provavelmente o menino morreu ainda no domingo, 2 de agosto, conforme o delegado.
Pai procura a polícia – tarde de segunda-feira
A polícia foi procurada somente às 16h30 de segunda-feira (3). A defesa de Igor alegou que o pai estava abalado e desorientado, e por isso deixou a residência, mas depois se apresentou espontaneamente à delegacia.
Laudo pericial – noite de segunda-feira
O exame pericial foi realizado na noite de segunda-feira (3). No documento, a que o g1 teve acesso, é constatado que a morte de Gustavo ocorreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”. A criança sofreu hemorragia interna e apresentava marcas de agressões na face e laceração intestinal.
Exames complementares para pesquisa de sêmen, álcool e drogas foram solicitados e serão incorporados posteriormente à investigação conduzida pela Polícia Civil.
Velório de Gustavo – terça-feira
Sabrina da Silva Feitosa durante enterro do menino Gustavo
Arquivo pessoal/Cirlene Feitosa
O corpo do menino Gustavo foi velado em uma igreja na região central de Palmas na terça-feira (4). Em uma homenagem, a tia da criança, Cirlene Feitosa, compartilhou fotos de momentos de lazer ao lado do menino.
Na rede sociais, ela também comentou sobre a despedida. A gravação mostra o momento em que um balão com a imagem do Homem-Aranha, herói favorito do menino, é solto no céu. Na legenda, a tia escreveu: “Último balão do Homem-Aranha, titia”.
Uma imagem da mãe, Sabrina da Silva Feitosa, sobre o caixão do filho, também comoveu a web.
Pedido de prisão – quarta-feira
O pedido de prisão preventiva do casal foi protocolado na Justiça do Tocantins pelo delegado Eduardo Menezes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde de quarta-feira (5).
Pai e madrasta são presos – madrugada de quinta-feira
Vídeo mostra momento da prisão do pai e madrasta do menino Gustavo
Igor Gustavo Veloso de Souza e Kathellen Moreira foram presos na madrugada de quinta-feira (6), em Palmas. Em imagens divulgadas pela polícia, os agentes aparecem dentro da casa de Igor, informando sobre as ordens de prisão. A filha do casal, uma bebê, estava no local e foi entregue à família materna. As imagens foram borradas pela polícia.
O casal foi levado para a Delegacia de Homicídios, onde prestou depoimento e passou pelo Instituto Médico Legal (IML). Depois, o pai foi levado à Casa de Prisão Provisória de Palmas e a madrasta, para a unidade prisional feminina.
Íntegra da nota da defesa de Igor Gustavo
A defesa de Igor Gustavo Veloso de Sousa esclarece que, assim que tomou conhecimento do pedido de prisão preventiva, colocou-se imediatamente à disposição da autoridade policial, informando que Igor se entregaria voluntariamente caso a medida fosse decretada.
Após a expedição do mandado, a defesa manteve contato com a autoridade policial e ficou ajustado que Igor se entregaria na própria residência onde se encontrava. Ele permaneceu no local e aguardou a chegada da equipe policial, submetendo-se voluntariamente ao cumprimento da ordem judicial, sem qualquer tentativa de fuga ou resistência.
Portanto, embora a prisão tenha sido formalmente cumprida em uma residência, não se tratou de localização ou captura realizada após buscas policiais, mas de entrega voluntária previamente acordada com a autoridade responsável, mantendo a postura de colaboração adotada desde o início das investigações.
Em respeito ao sigilo da investigação, a defesa não se manifestará, por ora, sobre aspectos específicos do caso.
Íntegra da nota da defesa de Kathellen Moreira
A defesa de Kathellen Moreira da Silva recebeu com profundo estarrecimento a decisão que decretou sua prisão preventiva.
Causa especial preocupação o fato de não constar da decisão qualquer consideração sobre uma circunstância pessoal de extrema relevância: Kathellen é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses de idade. A maternidade está comprovada pela certidão de nascimento, e a lactação pelos próprios registros realizados nas dependências da unidade policial.
Pelos documentos conhecidos até o momento, essa realidade não foi devidamente submetida à apreciação do Juízo quando do pedido de decretação da prisão preventiva. A custódia simultânea de Kathellen e do pai da bebê resultou na separação abrupta da criança de ambos os genitores, circunstância que deveria ter sido necessariamente ponderada antes da adoção da medida mais gravosa.
A defesa também esclarece que Kathellen se apresentou espontaneamente para o cumprimento da ordem judicial.
Diante desse cenário, a defesa adotará as medidas judiciais cabíveis para requerer a substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas ou, subsidiariamente, por prisão domiciliar, compatibilizando a regularidade da investigação com a proteção dos direitos e das necessidades da bebê lactente.
A defesa confia que, com a análise individualizada dos fatos e dos documentos apresentados, a situação será revista pelo Poder Judiciário, mantendo-se o respeito à investigação, à presunção de inocência e, sobretudo, à proteção integral da criança.
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Fonte: G1 Tocantins