Estudo científico sobre Hanseníase no Bico do Papagaio aponta soluções para a saúde pública

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Os casos de hanseníase na região estão sendo estudados por pesquisadores da região visando a intensificação da prevenção e a importância da imunização dos contactantes

Em homenagem ao dia Nacional de Combate à Hanseníase comemorado dia 26 de janeiro, o Governo do Estado por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) destaca um estudo inédito realizado na região do Bico do Papagaio, oriunda de uma tese de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Sanidade Animal e Saúde Pública nos Trópicos (PPGSaspt) da UFT (Universidade Federal do Tocantins), campus Araguaína–TO.  O resultado da pesquisa científica aponta caminhos para a melhoria da atenção à saúde relacionada à Hanseníase na região.

O estudo de autoria do enfermeiro Dennis Gonçalves Novais, docente da Universidade Estadual do Tocantins – UNITINS, e mestre em Sanidade Animal e Saúde Pública pela – EMVZ da UFT, avaliou possíveis fatores determinantes da doença na região, por meio da realização de entrevista com pacientes notificados para hanseníase nos anos de 2016 a 2018, além da análise de dados da hanseníase registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), entre 2008 a 2018. A dissertação foi concluída em setembro de 2020.

Como toda pesquisa científica requer tempo, durante o período de estudo epidemiológico, foram contabilizados 1.257 casos novos, sendo que a maior prevalência da doença ocorreu no sexo masculino, contabilizando um percentual de 54,49%. “Também foi identificado que a frequência da doença atinge pessoas com baixa escolaridade, em torno de 60,76%. Já os moradores da zona urbana apresentaram a maior incidência da doença, com 74,14% dos casos. O estudo também apontou que indivíduos que relataram casos anteriores de hanseníase na família tiveram mais chance de infecção, indicando a importância da identificação e proteção dos contactantes pelo sistema de saúde da região do Bico do Papagaio”, explicou o pesquisador.

A pesquisa científica contou com a orientação da professora doutora em Ciências Veterinárias, Helcileia Dias Santos, docente do PPGSaspt/UFT. Foto: Geórgya Laranjeira

A pesquisa científica contou com a orientação da professora doutora em Ciências Veterinárias, Helcileia Dias Santos, docente do PPGSaspt/UFT, que acompanhou todas as etapas do estudo. “Apesar de ser uma pesquisa pioneira, observa se a carência de pesquisas acerca da distribuição espacial da doença na região a ser estudada a fim de subsidiar a melhoria do entendimento do comportamento endêmico da doença, dada a sua complexidade epidemiológica, além de fomentar futuras ações dos órgãos de saúde no controle e prevenção da hanseníase”, ressaltou.

“O Governo por meio da Fapt, apoia iniciativas científicas que visam soluções em todas as áreas do conhecimento. Pois os estudos partem de um levantamento de problemas e o amparo técnico de cientistas, em especial do Tocantins, tem contribuído de forma significativa para a melhoria da qualidade de vida da sociedade. Isso representa um excelente trabalho realizado pelas universidades de nosso Estado na valorização da ciência, tecnologia e inovação”, destacou o presidente da Fapt, Márcio Silveira.

Hanseníase                                                                                                           

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium leprae, uma bactéria intracelular que pode causar deformidades e incapacidades físicas, além de danos psicológicos aos doentes. A doença é altamente contagiosa no caso de pacientes sem tratamento, transmitida por meio da fala, tosse e espirro. Afeta a pele, os olhos, o nariz e os nervos periféricos. Os sintomas são identificados pelas manchas claras ou vermelhas na pele e redução da sensibilidade, dormência e fraqueza nas mãos e pés. A hanseníase é infecciosa, crônica e curável se houver tratamento adequado e precoce. O rastreamento dos contatos, diagnóstico precoce e tratamento adequado são as principais medidas de controle da hanseníase.

Por: Geórgya Laranjeira Corrêa / Governo do Tocantins