‘O homem dos sonhos’ coloca ótima atuação de Nicolas Cage em história absurda e irregular; g1 já viu

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Ganhador do Oscar interpreta professor que se torna celebridade ao aparecer em sonhos de desconhecidos ao redor do mundo. Comédia de terror estreia nesta quinta-feira (4). Quanto menos se espera de Nicolas Cage, que se tornou mais conhecido por suas interpretações pra lá de exageradas, mais o ator surpreende e entrega uma atuação de tirar o chapéu. É o que acontece com “O homem dos sonhos”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (4).
Graças ao vencedor do Oscar por “Despedida em Las Vegas” (1995), o filme se torna mais interessante e prende a atenção com sua proposta inusitada de misturar comédia, suspense e terror. É uma pena, no entanto, que o longa tropece em falhas que comprometem o resultado, que poderia render bem mais.
Assista ao trailer do filme “O homem dos sonhos”
Na trama, Cage é Paul Matthews, um professor universitário que tem uma vida pacata ao lado da esposa, Janet (Julianne Nicholson, de “Blonde” e “Mare of Easttown”) e das filhas Hannah (Jessica Clement, da série “Gen V”) e Sophie (Lily Bird, de “Beau tem medo”). Um dia, ele descobre que várias pessoas, muitas delas desconhecidas, têm sonhos nos quais aparece sem qualquer explicação.
Inicialmente, o estranho fenômeno o torna uma celebridade involuntária, o que rende alguns momentos divertidos para ele. Só que, aos poucos, os sonhos passam a ser pesadelos e as pessoas começam a ver Paul cometendo atos terríveis, como se fosse um novo Freddy Krueger (o famoso personagem da franquia “A Hora do Pesadelo”). Por causa disso, ele começa a ser atacado e até mesmo repelido por todos, o que torna sua vida um verdadeiro inferno.
Paul (Nicolas Cage) é atacado numa cena do filme ‘O homem dos sonhos’
Divulgação
Ascensão e queda
“O homem dos sonhos”, produzido por Ari Aster, de “Hereditário”, “Midsommar” e “Beau tem medo”, busca, através de uma história fantástica, discutir o fenômeno das celebridades instantâneas, algo que acontece bastante no mundo nestes tempos de redes sociais.
A ideia, criada pelo diretor, roteirista e editor norueguês Kristoffer Borgli (em seu primeiro trabalho em língua inglesa) é bem interessante e mostra, através da alegoria dos sonhos e dos pesadelos, como as pessoas podem ser adoradas em um dia, para depois serem canceladas no outro.
Nicolas Cage interpreta o professor Paul Matthews no filme ‘O homem dos sonhos’
Divulgação
O cineasta ainda explora como pessoas não são nada além de símbolos ou números. Isso fica bem claro na sequência em que o personagem de Cage descobre que o fenômeno das pessoas sonharem com ele já alcançou outros países.
Um jovem empresário vivido por Michael Cera (de “Barbie”) quer transformá-lo em uma marca multinacional, mesmo que o pacato professor não esteja muito interessado.
Outro destaque está na criação das cenas dos sonhos. São eficientes e transmitem bem o que os personagens estão sentindo, especialmente a angústia nos pesadelos. O diretor constrói bem o clima de suspense e deixa o espectador atordoado e incrédulo.
Mesmo com tantos acertos, o filme perde o fôlego lá pela metade e fica sem foco, especialmente em sua parte final. Com uma premissa tão boa, é estranho que Borgli não consiga encontrar soluções satisfatórias para arrematar sua história, que acaba deixando um gosto agridoce em seu desfecho.
Paul (Nicolas Cage) é flechado numa das cenas do filme ‘O homem dos sonhos’
Divulgação
Senhor do destino
Apesar destes problemas, “O homem dos sonhos” vale principalmente pelo bom trabalho de Cage, que consegue transmitir bem a sensação de espanto e até mesmo deslumbre no primeiro momento e depois de desespero ao ter sua vida virada de cabeça para baixo. O ator cria a empatia necessária para que o público se torne cúmplice de seu sofrimento e se compadeça de sua inusitada situação.
O restante do elenco está bem funcional, mas Nicholson e, principalmente, Cera conseguem se destacar com boas atuações.
Com um belo, porém surreal, desfecho (coerente com sua trama absurda), “O homem dos sonhos” consegue seu objetivo de fazer rir em um primeiro momento para depois incomodar o público, sem dar respostas fáceis para seus mistérios — que se tornam mais interessantes por terem um ator inspirado à frente de tudo.
Nicolas Cage e Julianne Nicholson numa cena de ‘O homem dos sonhos’
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento