‘Backrooms’ e ‘Obsessão’ no topo: Como filmes de terror dirigidos por youtubers dominaram bilheterias

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Renate Reinsve em cena de ‘Backrooms: Um não-lugar’, e Michael Johnston e Inde Navarrette em cena de ‘Obsessão’
Divulgação
“Backrooms: Um não-lugar” e “Obsessão” dominaram as bilheterias americanas e, de certa forma, brasileiras neste fim de semana — e, com isso, marcaram o auge do fenômeno do sucesso de filmes de terror de orçamento modesto dirigidos por youtubers.
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Com mais de US$ 80 milhões (cerca de R$ 403 milhões) arrecadados entre sexta-feira (29) e domingo (31), “Backrooms” ultrapassou em muito as previsões mais arrojadas de especialistas, que estimavam valores entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões.
No processo, ainda bateu o recorde de maior bilheteria de estreia de seu estúdio, A24, o mais badalado entre os independentes. A marca anterior era de “Guerra Civil” (2024), com US$ 25,5 milhões.
O filme é dirigido por Kane Parsons, cineasta de 20 anos que lançou a série de terror que deu origem ao filme no YouTube em 2022, com um orçamento estimado em US$ 10 milhões. No mundo inteiro, a arrecadação foi de US$ 118 milhões.
Com inspiração em uma lenda urbana da internet e elenco encabeçado por Chiwetel Ejiofor (“12 anos de escravidão”) e Renate Reinsve (“Valor sentimental”), a obra retrata a exploração inquietante de um espaço extradimensional formado por salas com decoração corporativa.
Já “Obsessão” ficou com o segundo lugar ao arrecadar US$ 26 milhões (cerca de R$ 131 milhões) no mesmo período em seu terceiro fim de semana em cartaz, valor suficiente para superar “O Mandaloriano e Grogu”, que estreou depois.
Com orçamento de menos de US$ 1 milhão, o filme se tornou uma das grandes sensações das bilheterias de 2026 ao conseguir aumentar seu público semana a semana — algo raro na indústria. No total, já soma US$ 148 milhões ao redor do mundo.
Dirigido por Curry Baker, “Obsessão” é um conto sobre o que acontece quando um jovem tem o desejo atendido e passa a ser alvo da paixão incontrolável de sua crush.
Assista ao trailer de ‘Backrooms: Um não-lugar’
Do YouTube para o mundo
O Brasil não escapa à tendência. Por aqui, “Backrooms” estreou com pouco menos de R$ 9,5 milhões, maior arrecadação deste fim de semana.
“Obsessão” não repetiu o sucesso gigantesco dos EUA, mas também tem crescido semana a semana. Após conseguir R$ 2,2 milhões entre os dias 14 e 17 de maio, três semanas depois de sua estreia fez mais R$ 2,4 milhões.
Os dois filmes fazem parte da grande tendência atual de Hollywood, que passou a ver o YouTube como grande celeiro de talentos para a direção nos últimos anos.
Entre os cineastas que fizeram a transição, estão nomes como David F. Sandberg (“Shazam!”), Danny e Michael Philippou (“Fale comigo”) e Mark Fischbach (“Iron lung: Oceano de sangue”).
O caso de Markiplier, como ele também é conhecido, é um pouco diferente. Afinal, o criador financiou e distribuiu – e dirigiu, coescreveu e estrelou – o filme do próprio bolso. Uma aposta arriscada, mas que lhe rendeu US$ 50 milhões no começo de 2026.
“Acho que é mais acaso do que qualquer outra coisa”, diz Parsons, em entrevista ao g1.
“Não existe vaga para todo mundo que queira fazer algo em Hollywood, então, se você quer conseguir um acordo com um estúdio mais conhecido, ou distribuir um filme, não é como se pudesse apenas estalar os dedos.”
Para o jovem, a plataforma serve como ponto de entrada, onde criadores podem se dedicar a seus próprios projetos e chamar a atenção de grandes empresas de mídia.
“Provavelmente tem menos a ver com o YouTube em si. O fato é que todo mundo está na internet e, se você quer ser visto, você tem que colocar suas coisas online.”
Kane Parsons conversa com Chiwetel Ejiofor na gravação de ‘Backrooms: Um não-lugar’
Asterios Moutsokapas/A24 via AP
Como isso aconteceu?
O terror no geral tem passado por uma reinvenção na indústria americana, graças a baixos orçamentos e produtoras que sabem desenvolver o gênero.
Uma delas, por exemplo, é a Atomic Monster, do diretor James Wan, que esteve envolvida em “Backrooms” desde o início e que já tinha experiência com youtubers após “Quando as luzes se apagam” (2016).
Responsável por franquias como “Invocação do mal” e “M3gan”, a empresa se fundiu em 2022 com a Blumhouse Productions, outra veterana do terror.
No mesmo ano, o sucesso de obras como o australiano “Fale comigo” incentivou a indústria a voltar a olhar para a plataforma de vídeos. Afinal, os irmãos Philippou ficaram conhecidos por lá com vídeos de terror cômico antes de estrearem como cineastas, e arrecadaram US$ 92 milhões ao redor do mundo com um orçamento estimado em US$ 4,5 milhões.
Tanto que Parsons foi “inundado” de contatos para uma possível adaptação para os cinemas também em 2022, apenas alguns meses depois de lançar o primeiro vídeo de sua série sobre os “Backrooms” – que acumulou 20 milhões de visualizações em duas semanas.
“Eu era muito cético sobre o que poderia acontecer, porque eu não sabia nada dessas pessoas, e não conheço nada da indústria”, afirma ele.
“Então, eu segurei firme da forma como podia. Tomei muito cuidado ao entrar nessas conversa, mas também queria ter certeza de que não ia desperdiçar o que poderia ser uma oportunidade muito legal.”
A onda do terror não passou batida por grandes estúdios. Tanto que “Obsessão” foi comprada por US$ 15 milhões pela Focus Features. Apesar ser considerada uma distribuidora independente, a empresa faz parte do mesmo grupo da Universal, uma dos mais tradicionais dos EUA.
Se o sucesso continuar a crescer, como nas últimas semanas, o casamento entre Hollywood e youtubers está apenas começando.
Curry Baker dirige Inde Navarrette e Michael Johnston em gravação de ‘Obsessão’
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento