A história do hit “Peão Todo Tatuado”
Com uma das músicas mais tocadas no Spotify, Jeninho, o MC Peão, levou um tempo até entender que seguiria o caminho da música e os passos do pai.
Filho de Jenner Mello, produtor musical bastante conhecido nos bastidores do sertanejo, Jenner de Melo Barboza Filho, de 25 anos, sonhava em ser jogador de futebol. Mas nas últimas semanas, ao atingir o 3º lugar no Top 50, ele se consolidou de vez na carreira artística e, agora, comemora a decisão certeira fora de campo.
“Dos 6 aos 15 anos, minha vida era futebol. Eu me dediquei 100% a isso durante todos esses anos”, contou Jeninho, o MC Peão, em entrevista ao g1. A mudança de rota veio quando ele percebeu as dificuldades para seguir carreira no esporte sem ter conexões no meio.
“Fui ficando mais velho e entendendo mais sobre o futebol, sobre como eram as coisas. Não era só jogar futebol. Assim como a música, que também não é só cantar. Tem todo um processo por trás. Toda uma engrenagem tem que girar para as coisas darem certo”, analisa o artista goiano.
Assim, Jeninho abandonou o futebol e focou em concluir o ensino médio. Nas horas vagas, frequentava o estúdio do pai, que segundo dados do ECAD, aparece em mais de duas mil faixas como músico e/ou produtor e assina mais de 450 composições. Entre os hits assinados por ele estão “Regime Fechado” (Simone e Simaria), “Bebida na Ferida” (Zé Neto e Cristiano) e “Canto, bebo e choro” (Humberto e Ronaldo).
Jeninho, o MC Peão
Reprodução/Instagram
Foi ali no estúdio que Jeninho se encantou pelos bastidores da música. “Comecei a ver o processo criativo, escolha de repertório, reunião de artistas… e fui me apaixonando.”
Sem experiência profissional, mergulhou por um ano nos estudos musicais em uma escola de artes da capital goiana, onde fez aulas de canto, dança, teatro e instrumentos. “Eu era 100% leigo em relação a música, profissionalmente falando. Eu era só um ouvinte. Nunca tinha cantado. Aprendi tudo do zero mesmo.”
Sucesso como compositor
Antes de estourar como cantor, Jeninho construiu carreira como compositor de sertanejo. Segundo ele, a composição foi, durante muito tempo, sua principal fonte de renda.
“Minha carreira ainda não conseguia me sustentar, então eu trabalhava compondo músicas para outros artistas.”
Ele assinou canções gravadas por nomes como Naiara Azevedo, Diego & Arnaldo e Humberto & Ronaldo, mas o primeiro grande sucesso nacional veio com “Chega e Senta”, de John Amplificado. O hit chegou a ser número 1 no Brasil por algumas semanas em 2021.
Jeninho, o MC Peão, com Luan Pereira e Ana Castela, outros representantes do agrofunk
Reprodução/Instagram
Com ela, Jeninho se consolidou como compositor. Mas apesar da realização, não se sentia totalmente feliz.
“Eu queria algo mais. E entendi que esse algo mais era a minha própria carreira. Meu sonho era estar lá em cima do palco cantando. Porque o compositor tá no backstage. E eu queria estar ali no meio, fazer parte daquilo e viver isso também.”
Foi a partir desse momento que o cantor decidiu colocar sua carreira musical em primeiro plano. Mas mesmo com a bagagem sertaneja, optou por investir no funk.
De MC Jeninho a MC Peão
Ao longo do processo, sem estourar nenhum hit, Jeninho cogitou desistir da música. Mas a soma de alguns episódios fez com que ele percebesse que havia espaço para unir suas referências do sertanejo com o universo do funk.
Tudo começou em 2023, durante o show de abertura para a gravação do DVD da dupla Ícaro & Gilmar, em Goiânia. Em determinado momento da apresentação, ele colocou um chapéu e cantou uma música sertaneja. “Foi o auge do show, porque o público era 100% sertanejo”, relembra Jeninho.
Dias depois, ele publicou um vídeo nas redes sociais do discurso que fez no palco agradecendo ao mercado sertanejo. O conteúdo viralizou e ele ganhou mais de 10 mil seguidores.
No ano seguinte, o pai de Jeninho teve um sonho em que o filho aparecia usando chapéu. “Meu pai me ligou e falou que eu tinha que usar chapéu, que ele tinha sonhado com aquilo. E aí ele entrou no meu WhatsApp e a foto era justamente daquele show em que eu estava com o chapéu. Aí ele falou: ‘é um sinal, é uma confirmação’.”
Jeninho ouviu o pai, mas ficou inseguro sobre a mudança da imagem.
“Eu de correntona, boné e tal… A primeira coisa que a gente pensa é no que os outros vão pensar, né? Como é que eu vou fazer isso? Vou meter o chapéu na cabeça do nada e falar que agora eu uso chapéu?”
Do funk ao agrofunk: de MC Jeninho a MC Peão
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Tempos depois, ele se reuniu com um amigo no estúdio para desabafar. E entre os conselhos, Jeninho ouviu: “Você canta funk em Goiânia, tem que ser um MC de chapéu”.
“Na hora, eu senti que era uma confirmação. Fui até comer um espetinho lá do lado para comemorar porque eu tinha acertado, minha vida ia mudar.”
No mesmo dia, ele compôs a música “Chapeluda”, que mistura as batidas do funk com elementos da música sertaneja, como a sanfona. A canção viralizou nas redes sociais e foi compartilhada por famosas como Ana Castela e Virginia Fonseca.
“Foi um resultado que eu nunca tinha tido em oito anos de carreira.”
Barretos e a virada de chave
Após o sucesso de “Chapeluda”, o artista viralizou na Festa do Peão de Barretos, em 2025. Durante dez dias de evento, ele acampou em uma barraca no evento tentando divulgar sua história e a música “Maria Barretão”, mais um agrofunk, subgênero do sertanejo no qual nascerem estrelas como Ana Castela e Luan Pereira.
“Era eu com uma barraca, uma música e um sonho. Dormia pouco, sem conforto nenhum, dormia com o colchão de ar cheio e acordava com ele vazio. Mas a galera se comoveu bastante e me ajudou. E criou-se uma energia em volta. As coisas deram muito certo. Cheguei em Barretos com 50 mil seguidores, saí de lá com 200 mil.”
Mas mais do que seguidores, ele ganhou espaço no festival. A faixa foi tocada nas caixas de som da arena do evento, principal palco do festival.
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“O artista que aparece ali em Barretos está sendo validado pela maior festa onde estão os maiores artistas, empresários, influenciadores… E foi ali onde eu apareci, então me dá uma credibilidade. Quando cheguei de Barretos, minha vida já estava caminhando para outro nível, outro estágio.”
‘Peeeeeeeão Todo Tatuado’ não conquistou parceira
Embora o artista considere Barretos um importante ponto de sua carreira pela oportunidade de mostrar um pouco de sua história, a consolidação nacional veio há poucas semanas com “Peão Todo Tatuado”.
A parceria com a cantora Mariana Fagundes foi gravada em janeiro e lançada em março. Logo viralizou nas redes sociais e, mais uma vez, foi parar nas redes sociais de Virgínia Fonseca. Na última semana, ela apareceu no terceiro lugar do TOP 50 do Spotify. O sucesso fez com que Jeninho adiasse o lançamento da segunda parte do DVD “para não tirar o foco dela”.
“Peão Todo Tatuado” foi composta às pressas, faltando apenas uma semana para a gravação do DVD do cantor.
“Eu estava exausto de uma sequência de shows, mas falei para o meu produtor: ‘Hoje vou fazer o hit da minha vida’.”
A composição nasceu de trás para frente, começando pelo trecho da dancinha que viralizou no TikTok e chegando ao refrão, trecho cantado por Mariana Fagundes.
Mariana Fagundes com Jeninho, o MC Peão
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“Quando saiu o ‘peeeeeeãoooo’, eu pensei: ‘isso aqui vai impregnar na cabeça das pessoas’.”
“Ali eu já senti o trem diferente. E mandei para Mariana. E ela: ‘ah, amigo, legal e tal’. Depois que eu fui descobrir que ela não tinha gostado da música. A princípio ela não tinha sentido a música, mas ela aceitou e confiou”, revela o artista.
Ele ainda elogia a atitude de Mariana de gravar, mesmo sem ter se encantado com a faixa. “Achei muito legal da parte dela, sabe. Ela confiar no nosso feeling, no nosso gosto.”
Desafio para consolidar imagem
Com o estouro da faixa e o crescimento acelerado da carreira, MC Peão diz que tenta equilibrar a pressão por novos sucessos com a necessidade de aproveitar o momento.
“Às vezes o artista fica tão preocupado com o próximo passo que esquece de viver o que está acontecendo.”
Enquanto roda o país, ele continua compondo diariamente. Sozinho ou com seu time de compositores. E não se cobra para ter outro hit.
“Uma coisa que me tranquiliza, não sendo de forma alguma arrogante, prepotente, mas eu confio na minha parte autoral. Esse lado não me assusta porque eu sei que eu vou fazer.”
O que ele considera o principal desafio, no momento, é fazer o público associar o hit ao rosto por trás da música.
“A ‘Peão Todo Tatuado’ está no Brasil inteiro. Mas será que o MC Peão está? Será que as pessoas sabem quem canta? No momento, estou mais com a questão da imagem. É um desafio.”
Jeninho, o MC Peão, com o pai, Jenner Melo
Reprodução/Instagram
Fonte: G1 Entretenimento



