Feirante vende pastel para ajudar filhas: ‘Formando duas em medicina’
A dona Marly Moreira Silvestre, de 55 anos, vende pastéis na feira da 304 Sul, em Palmas, para pagar as mensalidades dos cursos de medicina das duas filhas, Fernanda Silvestre e Tallyta Silvestre. Há dois anos ela paga o valor cheio das parcelas apenas com a venda de pastéis.
As estudantes iniciaram o 5º período em uma faculdade privada, e Marly conta que elas sempre ajudam a vender os salgados na feira.
“É muito gratificante poder ver elas tirando notas boas, se esforçando. Elas também vão à feira e me ajudam. Elas saem da faculdade e vão correndo me ajudar […]”, diz.
A estudante, Fernanda Silvestre, de 27 anos, conta que se dedica aos estudos como forma de honrar o esforço da mãe, e que deseja, um dia, poder retribuir o amor e a ajuda financeira.
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Feirante paga faculdade de medicina das duas filhas com venda de pastel no TO
Feirante Marly Moreira com as filhas, Fernanda e Tallyta, e o marido
Arquivo Pessoal/Marly Moreira
“A feira nos ensinou o valor do trabalho honesto, da perseverança, do cuidado e da humildade. Tudo o que ela construiu veio dali [feira], e hoje ela consegue investir no futuro das filhas graças ao trabalho. Sempre saio das aulas e faço questão de ir para a feira ajudá-la”, conta.
Marly é feirante há mais de 29 anos em Palmas, mas desde os 7 anos de idade frequentou uma feira em Porto Nacional para acompanhar os pais na venda de produtos de hortifruti. Depois que se casou, o marido ficou sem emprego enquanto criavam a primeira filha, de 6 meses.
“Não tinha com o que trabalhar. Eu virei e falei: quer saber, vamos pra feira vender pastel. Foi em agosto de 1997. Eu sou a primeira feirante que começou com a venda de pastel nessa feira e continuo até hoje”, explica.
Marly conta que paga o valor integral das mensalidades e diz que, quando consegue pagar as parcelas em dia, garante também um desconto de 10% nos valores.
A feirante disponibiliza mais de 50 recheios para a clientela, e o de carne com queijo e frango com guariroba são os mais pedidos. Ela também vende massas de pastel para outros empreendimentos e, durante a pandemia, incluiu esfihas abertas no cardápio.
Fernanda faz questão de dizer que sente orgulho de ser filha de feirante, e que cada cliente também faz parte da conquista desse sonho: ser médica.
“Cresci vendo minha mãe acordar de madrugada, enfrentar sol, chuva, cansaço e nunca desistir. Enche meu coração de orgulho. Tenho muito orgulho de ser filha de uma feirante. Estar ao lado dela me permite enxergar de perto o quanto esse trabalho exige dedicação, amor e o carinho com que ela trata cada cliente. Muitos deles acompanham a nossa história há anos e, de certa forma, também fazem parte dessa conquista”, diz a filha.
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Fonte: G1 Tocantins



