‘Olha a aura… é mentira!’: Dancinhas de TikTok e remixes de funk invadem quadrilhas escolares

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‘Trends’ de Tik Tok e remixes de brega funk invadem festas juninas escolares.
Redes sociais
????O período junino nas escolas brasileiras representa, para muitas crianças e adolescentes, o primeiro contato com as tradições do São João.
É impossível não lembrar daquela clássica cena ajoelhado na quadra da escola, com o chapeúzinho de palha na mão, esperando a introdução de “Clima de Rodeio” (2002) começar: ???? “A magia está no ar…”.

Nos últimos anos, porém, as coisas têm mudado bastante. Vídeos que circulam aos montes pelas redes sociais mostram alunos “adaptando” o jeito de dançar nas festas de norte a sul do país.
Ainda trajando os clássicos vestidinhos de chita e camisas xadrez, os estudantes têm incorporado às apresentações os novos passinhos do momento: como o do Jamal, do brega funk, e os movimentos da trend “6’7” (six-seven).
Tudo isso embalado por versões de forrós masterizados em formato de remix.
???? Na sola do six, na palma do seven…
Essa mudança, claro, divide opiniões, mas encontra respaldo entre os pais de alguns alunos.
Em Itumbiara, no sul de Goiás, a apresentação do 5º ano da estudante Sophia Pacheco Duarte Silva, de 10 anos, misturou o phonk “Brasil com S” (2026) com uma versão de forró de “Sou Brasileiro” da Banda Bicho do Mato (2014) e, claro, ele, sempre ele: o hit “6’7”.
A mãe chegou a brincar com o “choque” ao publicar um vídeo nas redes sociais com a legenda “Os pais indo na quadrilha dos filhos em 2026???? “, mas garantiu que aprovou a abordagem da escola.
“É a dança do momento deles. A gente tem que se adaptar porque, querendo ou não, com o passar dos anos as coisas vão mudando. É só não deixar a tradição completamente de lado”, afirmou Joice Cristina Pacheco Silva, de 28 anos, ao g1.
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Mas Joice não é a única. A brincadeira sobre a “surpresa” dos pais ao assistirem às novas apresentações escolares que incorporam essas trends da internet acabou virando… trend.
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????‍????Dancinhas viram desafio para pedagogos
Se por um lado essa mistura de ritmos ganha espaço, por outro, há também quem defenda a manutenção da tradição.
Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, a escolha pedagógica de uma instituição de ensino cristã seguiu a cartilha clássica.
De acordo com a coordenadora Rafaela Charamba, a escola optou por manter a estrutura “original” da festa, mesmo após o pedido dos estudantes de incluir os passinhos do Jamal na coreografia.
O remix da apresentação contou com clássicos como “Riacho do Navio” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), “No Lume da Fogueira” (Dominguinhos), “Foi Deus Quem Fez Você” (eternizada na voz de Amelinha) e “Balão Dourado” (eternizada na voz de Amelinha).
“A inovação é importante, sim, claro. Mas ela pode ser incluída dentro da escola de outras formas, e não de uma maneira que quebre tradições que são passadas de geração em geração.”
Em outro colégio particular de Pernambuco, a escolha de seguir pelo ritmo tradicional também se repetiu.
Lá, a coreografia foi desenhada como um mergulho no sertão, homenageando a obra de Luiz Gonzaga e debatendo a importância da água.
“Nunca é só a festividade, mas a relação que ela tem com o conteúdo pedagógico. Abordando esse tema, a gente traz as histórias por trás das músicas: as alegrias e as dores do povo sertanejo. Escutamos as demandas dos alunos, sim, mas sem fugir da nossa história”, pontua a diretora Paula Leão.

????O lado dos artistas
Para o cantor e compositor Almério, que transita entre o forró, o xote e a MPB, o movimento não representa uma ameaça aos ritmos tradicionais.
Natural de Altinho, no agreste de Pernambuco, o artista enxerga a fusão com otimismo.
“É importante deixar os mais novos passearem pela tradição porque tudo muda o tempo todo. O que tiver substância e verdade, vai ficar”, avalia o músico, que defende o cuidado e o respeito no acompanhamento dessas transições.
Almério no São João de Caruaru
Lafaete Vaz / g1
Almério aponta ainda que, impulsionados por novas vertentes (como o piseiro), os gêneros tradicionais vivem, na verdade, um momento de expansão.
“O forró como um todo, com ou sem essas novas ferramentas, tem ganhado mais força e espaço tanto no Brasil quanto internacionalmente. O envolvimento dos jovens nessas trends é a prova disso”, completa o cantor.

Fonte: G1 Entretenimento